O Instituto Caldeira, localizado em Porto Alegre (RS), sedia hoje um encontro com uma delegação internacional de startups participantes do programa ScaleUp inBrazil. A iniciativa resulta da cooperação estratégica entre a ApexBrasil, a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), a Organização Japonesa de Comércio Exterior (JETRO), o Ministério das Relações Exteriores da Finlândia e a Missão Econômica de Israel. O evento reúne founders, executivos e representantes de dez empresas emergentes do Japão, Israel e Finlândia para sessões exclusivas de rodadas de negócios com grandes corporações brasileiras, seguidas por um encontro de networking com a comunidade local de inovação.
A missão internacional tem como objetivo aproximar tecnologias emergentes estrangeiras das demandas operacionais e estratégicas do mercado brasileiro. Ao conectar ecossistemas maduros de tecnologia do Oriente Médio, Ásia e Europa a corporações nacionais, o programa estimula a transferência de tecnologia, a atração de investimentos e a criação de parcerias comerciais em setores de alta intensidade tecnológica, como inteligência artificial, cibersegurança, agrotecnologia e transição energética.
Perfil das startups e verticais tecnológicas atendidas
As empresas integrantes da comitiva internacional atuam em segmentos essenciais para a modernização industrial e digital. A diversidade de estágio de maturidade das startups varia desde rodadas Seed e modelos sustentados por receitas próprias (Bootstrap) até companhias consolidadas com captações de Série B e capital aberto em bolsas de valores internacionais.
O portfólio de soluções apresentadas ao mercado brasileiro contempla três eixos principais de aplicação:
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Cibersegurança e Inteligência de Ameaças: Proteção em nuvem alimentada por inteligência artificial, identificação de riscos digitais externos e biometria vocal para prevenção de fraudes e deepfakes.
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Eficiência Operacional e Logística: Softwares de gestão de campo, otimização de pátios e armazéns em tempo real e simulações digitais em 3D para processos de vendas e treinamento industrial.
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Sustentabilidade e Infraestrutura: Drones para inspeção de redes elétricas e ferrovias, plataformas de recarga compartilhada para mobilidade elétrica e insumos biodegradáveis para retenção hídrica na agricultura.
| Empresa | País de Origem | Vertical de Atuação | Estágio de Maturidade | Faturamento Estimado (2025) |
| AeroSense | Japão | Drones VTOL para inspeção de infraestrutura | Série B | ~US$ 5 milhões |
| Animo | Israel | Plataforma SaaS de otimização de mídia com IA | Seed | ~R$ 1,3 milhão |
| Charger4Us | Israel | Infraestrutura compartilhada para veículos elétricos | Seed | Pré-receita |
| Cyber Security Cloud | Japão | Cibersegurança e proteção em nuvem com IA | Listada na Bolsa de Tóquio (TSE) | ~R$ 175 milhões |
| Ecomond | Finlândia | Digitalização e gestão de operações de campo | Série B | ~€ 3 milhões |
| EF Polymer | Japão | Insumos biodegradáveis para retenção de água | Série B | ~R$ 15 milhões |
| KELA | Israel | Inteligência de ameaças cibernéticas externas | Bootstrap | ~US$ 45 milhões |
| MultiKol | Israel | Deep tech de biometria vocal e prevenção de fraudes | Seed | Pré-receita |
| Stereoscape | Finlândia | Experiências 3D para marketing, vendas e treinamento | Bootstrap | ~R$ 3,5 milhões |
| Volmera | Finlândia | Otimização logística de armazéns e frotas | Seed | Pré-receita |
Soluções avançadas em inteligência artificial e proteção digital
Entre os destaques da comitiva, as tecnologias focadas em segurança da informação e inteligência artificial generativa atraíram a atenção de executivos de grandes corporações. A japonesa Cyber Security Cloud apresentou soluções automatizadas de proteção para ambientes em nuvem que já movimentam receitas globais significativas. Do ecossistema israelense, a KELA trouxe ferramentas analíticas para mapeamento preventivo de riscos no ambiente digital externo, enquanto a deep tech MultiKol introduziu algoritmos de autenticação por biometria vocal direcionados a conter fraudes financeiras e adulterações por deepfakes.
No campo da eficiência de marketing e mídia corporativa, a israelense Animo expôs sua plataforma SaaS que integra métricas de campanhas online e offline via aprendizado de máquina, otimizando o retorno sobre investimento (ROI) de grandes anunciantes. Por sua vez, a finlandesa Stereoscape demonstrou como a aplicação de conteúdos interativos em três dimensões simplifica o treinamento operacional de equipes técnicas e acelera ciclos de vendas de produtos industriais complexos.
Inovação industrial, infraestrutura e sustentabilidade
A demanda brasileira por aumento de produtividade no agronegócio e na infraestrutura refletiu-se no interesse pelas tecnologias de campo do grupo. A japonesa AeroSense apresentou drones do tipo VTOL (pouso e decolagem vertical) desenvolvidos para a realização de inspeções remotas de longo alcance em mineração, energia, redes agrícolas e ferrovias. Ainda no setor agrícola, a EF Polymer exibiu um polímero biodegradável derivado de resíduos orgânicos que aumenta a capacidade de retenção de água no solo, reduzindo a necessidade de irrigação frequente nas lavouras.
A gestão da cadeia de suprimentos e a transição para frotas sustentáveis contaram com as propostas da Volmera, dedicada à redução de custos operacionais e emissões de carbono em pátios e armazéns, e da Ecomond, que oferece soluções em nuvem para planejamento em tempo real de frotas de campo. No segmento de mobilidade elétrica, a israelense Charger4Us apresentou o conceito de economia compartilhada aplicado a pontos de recarga para automóveis elétricos, conectando proprietários de estações a motoristas urbanos.
Análise Brasil Inovador
A atração de scale-ups e companhias de tecnologia avançada de polos de inovação consagrados como Japão, Israel e Finlândia sinaliza a maturidade e a relevância do mercado corporativo brasileiro na rota global da inovação aberta. O interesse dessas companhias em validar e expandir suas operações no Brasil demonstra que o país não é apenas um mercado consumidor de grande escala, mas um ambiente de testes complexo para soluções em agrotecnologia, cibersegurança e logística. No entanto, para que essa aproximação se converta em ganhos definitivos de competitividade e transferência de conhecimento para o ecossistema local, é fundamental superarmos barreiras regulatórias, burocráticas e tributárias que ainda retardam a implementação de parcerias internacionais. A continuidade de programas como o ScaleUp inBrazil, combinada à tração de hubs regionais de inovação, consolida o ambiente de negócios brasileiro como um ponto convergente para atração de capital de risco e desenvolvimento de soluções de alto valor agregado.