O cooperativismo brasileiro alcançou novos patamares de representatividade socioeconômica ao atingir a marca de R$ 848,4 bilhões em ingressos totais, o que representa um crescimento de 11,9% em relação ao período anterior. Os dados consolidados do Anuário do Cooperativismo 2026, divulgados pelo Sistema OCB, mostram que as 4.400 cooperativas ativas no país movimentam R$ 1,6 trilhão em ativos e geram R$ 61,3 bilhões em sobras, além de empregarem diretamente mais de 613 mil trabalhadores formais. O desempenho reflete o fortalecimento de um modelo de negócios focado na sustentabilidade financeira, na inclusão social e na capacidade de adaptação às oscilações dos mercados interno e externo.
A expansão do setor apoia-se em uma base societária de 29 milhões de cooperados, volume que registrou uma alta de 12,5% na comparação anual. Globalmente, a força do modelo se confirma com a presença de nove cooperativas brasileiras no ranking das 300 maiores do mundo. Esse avanço da participação cidadã e o aumento constante do volume de recursos sob gestão transformam as entidades em motores de desenvolvimento regional, injetando capital diretamente nas economias locais e promovendo maior resiliência financeira nos municípios atendidos.
Desempenho setorial e liderança no agronegócio e crédito
As cooperativas brasileiras mantêm posições de liderança em setores estratégicos para o Produto Interno Bruto (PIB). No ramo agropecuário, as 1.254 entidades mapeadas responderam por R$ 487,3 bilhões em ingressos e foram responsáveis por 53% de toda a produção de grãos do país, além de deterem 25% da capacidade de armazenamento nacional e sustentarem 22% da carteira de crédito rural. Paralelamente, o ramo de crédito acelerou seu processo de bancarização, acumulando R$ 1,1 trilhão em ativos e figurando como a única instituição financeira presente em 1.072 municípios brasileiros.
A tabela a seguir apresenta os indicadores de desempenho e estrutura operacional divididos pelos sete ramos de atuação mapeados no panorama nacional:
| Ramo de Atuação | Coop | Cooperados | Empregados | Ingressos (R$) | Ativos (R$) | Sobras (R$) |
| Agropecuário |
1.254 |
1.132.303 |
277.226 |
487,3 bilhões |
340,0 bilhões |
29,25 bilhões |
| Crédito |
682 |
22.956.981 |
134.395 |
198,2 bilhões |
1,1 trilhão |
24,00 bilhões |
| Saúde |
695 |
304.329 |
162.285 |
130,6 bilhões |
81,9 bilhões |
6,50 bilhões |
| Transporte |
730 |
128.649 |
5.377 |
11,9 bilhões |
3,0 bilhões |
199,2 milhões |
| Consumo |
191 |
2.842.302 |
16.798 |
7,8 bilhões |
4,15 bilhões |
222,0 milhões |
| Infraestrutura |
247 |
1.476.472 |
7.110 |
6,8 bilhões |
11,45 bilhões |
772,0 milhões |
| Trabalho e Produção |
601 |
188.451 |
11.184 |
5,4 bilhões |
2,5 bilhões |
228,4 milhões |
Projeção internacional e participação nas exportações brasileiras
A inserção do cooperativismo no comércio exterior representou receitas de US$ 17,4 bilhões nas pautas de exportação, valor equivalente a 10,3% de todas as vendas externas do agronegócio brasileiro. As 140 cooperativas exportadoras comercializaram seus produtos prioritariamente para países como China (US$ 1,8 bilhão), Japão (US$ 620,7 milhões), Estados Unidos (US$ 594 milhões), Alemanha (US$ 591 milhões) e Países Baixos (US$ 488,6 milhões). Entre as commodities e produtos processados com apoio comercial da ApexBrasil, destacam-se o café não torrado (US$ 3,1 bilhões), carnes de aves (US$ 2,2 bilhões) e derivados de soja.
A sofisticação logística e o avanço no gerenciamento das cadeias globais de suprimentos permitiram a expansão das vendas no mercado internacional, com concentração em dez principais organizações do setor agroindustrial. Esse alcance externo é complementado pela infraestrutura interna mantida pelo cooperativismo de saúde, responsável pelo atendimento de 37,2% dos beneficiários de planos médicos no país, e pelas entidades de infraestrutura, que fornecem energia elétrica para 3,5 milhões de brasileiros em mais de 800 municípios por meio de redes próprias.
Impactos socioeconômicos e transição energética nos municípios
A presença cooperativa causa transformações diretas nos indicadores sociais dos municípios em que atua. O levantamento estatístico demonstra que cada real gasto em produtos ou serviços de cooperativas gera R$ 2,56 na atividade econômica local, R$ 1,65 no valor bruto da produção e R$ 0,50 em salários. A oferta de crédito por essas entidades também impacta a dinâmica municipal: para cada R$ 1 de crédito concedido, registram-se acréscimos de R$ 3,9 mil no PIB por habitante e 25,3 empregos formais por mil habitantes, além da redução na proporção de famílias dependentes do CadÚnico e de programas de transferência de renda.
No âmbito da sustentabilidade ambiental, a matriz do setor avança no uso de energias renováveis. O anuário registrou 1.017 cooperativas com sistemas de geração própria, totalizando 6.503 empreendimentos operacionais e 710,85 MW de potência instalada. Em relação aos investimentos sociais corporativos, 1.091 entidades destinaram R$ 26,6 milhões para iniciativas nas áreas de saúde, educação e meio ambiente, mobilizando 174 mil voluntários e beneficiando cerca de quatro milhões de pessoas em todo o território nacional.
Análise Brasil Inovador
A solidez dos indicadores do Anuário do Cooperativismo 2026 confirma que o modelo cooperativo deixou de ser um mecanismo periférico de organização produtiva para se consolidar como infraestrutura econômica essencial do Brasil. A combinação entre capilaridade geográfica — demonstrada pela liderança do setor no crédito rural e na presença bancária em áreas desassistidas —, investimento maciço em transição energética e capacidade de exportação agroindustrial posiciona as cooperativas como vetores primordiais de inovação e inclusão produtiva. No médio e longo prazo, a capacidade de o setor reinvestir suas sobras no desenvolvimento local, na capacitação técnica e na descarbonização das cadeias de suprimento continuará elevando a competitividade do ecossistema de negócios brasileiro frente às exigências regulatórias globais e às oscilações do mercado financeiro tradicional.