O Panorama do Gestor de Viagens no Brasil 2026, estudo da Paytrack em parceria com a ALAGEV (Associação Brasileira de Gestão de Viagens e Eventos), ouviu mais de 110 gestores de viagens corporativas no país e chegou a um número que contraria a intuição: depois de dez anos de carreira, o salário das mulheres fica quase uma faixa inteira atrás do dos homens.
Elas são 84% da gestão da área, mas se concentram na base da tabela. O dado vem quase três anos após a sanção da Lei 14.611/2023, que tornou obrigatória a igualdade de salários entre os gêneros.
A pesquisa dá uma pista do porquê. O salário maior está preso ao tamanho da conta: quem administra carteiras acima de R$ 20 milhões por ano tem seis vezes mais chance de ganhar acima de R$ 12 mil. E o caminho até esses cargos de orçamento alto passa por onde as mulheres estão menos presentes. Nos primeiros anos, as faixas de homens e mulheres se parecem; é a partir de uma década que o intervalo se abre.
A área concentra gente experiente e qualificada: 43% dos gestores têm mais de dez anos na função e 55% fizeram pós ou MBA. Mesmo assim, 61% ganham até R$ 8 mil por mês.
Transparência salarial na teoria
Sancionada em julho de 2023, a Lei 14.611 obrigou empresas privadas com 100 ou mais funcionários a divulgar relatórios semestrais de transparência salarial, comparando o que ganham homens e mulheres em cargos equivalentes. Quem descumpre paga multa de até 3% da folha, limitada a 100 salários mínimos.
A lei propõe amenizar exatamente esse tipo de diferença. Três anos depois, o Panorama sugere que, neste setor, ela segue de pé.
Um cargo estratégico, uma rotina no improviso
Parte do problema aparece na rotina. O gestor de viagens quase nunca cuida só disso: 74% acumulam outras áreas, como RH, Compras, Financeiro, Facilities e Eventos. E o trabalho ainda é manual. No dia a dia, 71% dependem de planilha, e entre os que operam 100% à mão, 83% admitem não confiar nos próprios números.
A inteligência artificial entrou pela porta dos fundos: 91% dos gestores já usam algum tipo de IA para produtividade, mas só 7% têm a tecnologia integrada de forma nativa aos sistemas de gestão. Ou seja, muita gente usa IA por fora, sem conexão com as ferramentas da empresa.
Onde a operação amadurece, as dores diminuem. Com ferramentas de reserva online (OBTs), a queixa de falta de integração cai de 78% para 54%. Com um software próprio de despesas, a dor com reembolsos desce de 38% para 21%.
Sobre a pesquisa
O Panorama do Gestor de Viagens no Brasil 2026 é uma iniciativa da Paytrack é uma plataforma brasileira que junta viagens, despesas e pagamentos corporativos num lugar só e da ALAGEV (Associação Brasileira de Gestão de Viagens e Eventos). O estudo ouviu mais de 110 gestores de viagens corporativas de empresas de diferentes portes e setores visando entender os diversos perfis, os desafios, a maturidade digital e as tendências que estão transformando a gestão de viagens corporativas no Brasil.
O estudo completo está em: https://paytrack.com.br/